Menopausa e coração: você já avaliou o seu risco cardiovascular?
Toda semana atendo mulheres no climatério ou na menopausa encaminhadas pelo ginecologista para uma avaliação cardiovascular, muitas vezes antes de iniciar a reposição hormonal.
E algumas nunca foram ao cardiologista.
Não sentem nada, praticam atividade física, trabalham, têm uma vida normal e chegam ao consultório achando que está tudo bem. Mas, quando começamos a investigar, podemos encontrar pressão alta, colesterol alterado, diabetes ou até sinais de aterosclerose.
E aí vem a pergunta: “Mas como, se eu não sinto nada?”
Porque doença cardiovascular pode ser silenciosa.
Pressão alta e colesterol elevado geralmente não dão sintomas. A aterosclerose também pode se desenvolver durante anos sem que a pessoa perceba.
Por isso, não precisamos esperar sentir alguma coisa para procurar o cardiologista.
O que muda no coração durante a menopausa?
Quando falamos em menopausa, muita gente pensa em calorão, alteração do sono, ganho de peso e reposição hormonal.
Mas precisamos falar também de coração.
Com a queda dos níveis de estrogênio, ocorrem mudanças metabólicas e vasculares. Nessa fase, podem aparecer ou piorar hipertensão, alterações do colesterol, diabetes, ganho de peso e acúmulo de gordura abdominal.
A idade em que a menopausa acontece também importa. A menopausa precoce, antes dos 45 anos, está associada a maior risco cardiovascular.
E tem um dado que muita mulher ainda desconhece: as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre as mulheres.
Vai começar reposição hormonal? Como está o seu risco cardiovascular?
A terapia hormonal pode ser indicada para mulheres com sintomas e sem contraindicações. Quando iniciada antes dos 60 anos ou nos primeiros 10 anos após a menopausa, em mulheres selecionadas, apresenta uma relação entre riscos e benefícios mais favorável. É o que chamamos de janela de oportunidade.
Mas reposição hormonal não é tratamento para prevenir infarto ou AVC.
Antes de começar, vale responder algumas perguntas.
Sua pressão está controlada? Como está o seu colesterol? Você tem diabetes ou pré-diabetes? Fuma? Tem obesidade? Existe histórico de infarto ou AVC precoce na família? Já existe alguma placa de aterosclerose?
Tudo isso muda o risco cardiovascular e pode influenciar também a escolha da terapia hormonal.
E a Lipoproteína(a)? Você já dosou?
Esse é outro ponto que sempre pergunto no consultório.
A Lipoproteína(a), ou Lp(a), é determinada principalmente pela genética e, quando elevada, está associada a maior risco cardiovascular.
Você pode ter uma alimentação saudável, fazer atividade física e não estar acima do peso e, mesmo assim, ter Lp(a) elevada.
Por isso, a recomendação atual é dosá-la pelo menos uma vez na vida adulta.
Não é um exame específico da menopausa. Mas, se estamos revendo o risco cardiovascular nessa fase da vida, é uma boa hora para verificar se você já fez.
Entrou no climatério? Recalcule o seu risco cardiovascular
Não basta olhar apenas o colesterol.
Pressão arterial, glicemia, peso, circunferência abdominal, tabagismo, atividade física e história familiar precisam ser avaliados.
Também é importante perguntar sobre situações específicas das mulheres, como menopausa precoce, pré-eclâmpsia e diabetes durante a gestação.
Dependendo do resultado dessa avaliação, alguns exames podem ajudar a procurar aterosclerose antes que ela provoque sintomas e a entender melhor o risco de infarto e AVC.
Isso não significa que toda mulher precise fazer todos os exames.
Significa saber qual é o seu risco e o que realmente precisa ser investigado.
Menopausa não é só uma questão hormonal
Se você está no climatério, já entrou na menopausa ou está pensando em iniciar reposição hormonal, aproveite para olhar também para o seu coração.
Você sabe como está a sua pressão? O seu colesterol? Já dosou a Lipoproteína(a)? Sabe qual é o seu risco cardiovascular?
Se não sabe responder, talvez esteja na hora de fazer uma avaliação cardiovascular.
Não espere ter sintomas para começar a prevenir.

