Colesterol alto e agora?
Você já pegou seu exame e viu colesterol alto?
Ou pesquisou no Google, perguntou para alguma inteligência artificial e leu que colesterol alto não tem problema? Que até pode ser bom ter colesterol alto?
Será mesmo?
O colesterol é essencial para o organismo. O problema não é ter colesterol. O problema é o excesso, principalmente do LDL.
E o principal risco não acontece amanhã. Ele acontece ao longo dos anos.
Colesterol alto não dá sintomas
Colesterol alto não dói.
Não dá tontura.
Não dá dor de cabeça.
É silencioso.
O problema é a longo prazo: a formação de placas nas artérias, processo chamado aterosclerose.
Aterosclerose: uma doença difusa
A dislipidemia, ou colesterol alto, é uma doença assintomática e difusa que leva à formação de placas (ateromas) nas artérias.
Essas placas podem se formar nas artérias do coração (coronárias), carótidas, rins, aorta e em qualquer outro território vascular.
Nosso corpo funciona como um grande sistema de tubos e conexões.
Se a placa cresce, inflama e rompe, pode obstruir a passagem do sangue no vaso.
E isso pode causar:
- Infarto agudo do miocárdio
- Acidente vascular cerebral (AVC)
- Aneurisma de aorta
- Insuficiência renal
- Disfunção erétil (impotência sexual)
O que leva a pessoa a ter um infarto ou um AVC é justamente a ruptura dessa placa.
Não tratamos números. Tratamos risco.
HDL é conhecido como colesterol “bom”.
LDL é o colesterol “ruim”.
Triglicérides também fazem parte da avaliação.
Mas não basta olhar um número isolado.
Hoje existem exames que ajudam a refinar o risco cardiovascular, como:
- Lipoproteína(a)
- Apolipoproteína B
- Relação ApoB/ApoA1
Também utilizamos calculadoras de risco, como o PREVENT Score, que estimam a probabilidade de infarto agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral (AVC) ao longo dos anos.
Cada pessoa tem uma meta diferente de colesterol, de acordo com seu risco cardiovascular.
O objetivo não é abaixar um número.
É reduzir o risco de eventos no longo prazo.
Remédio dissolve a placa?
Não.
O remédio não dissolve a placa.
Ele reduz o colesterol, evita a progressão da placa e a estabiliza, diminuindo o risco de ruptura.
Por isso, mesmo com exames mostrando colesterol controlado, não se deve interromper o tratamento sem orientação médica.
É possível controlar colesterol sem medicação?
Depende.
Há várias causas de colesterol alto: dieta inadequada, obesidade, hipotireoidismo, diabetes, sedentarismo e causas genéticas.
Em alguns casos, mudanças no estilo de vida são suficientes.
Em outros, principalmente quando o risco cardiovascular é maior, a medicação é necessária.
Tenho medo de estatina
É comum ouvir:
“Estatina causa demência.”
“Estatina faz mal para o fígado.”
“Estatina causa câncer.”
Grandes estudos mostram que estatinas são seguras quando bem indicadas.
Uma metanálise recente publicada no The Lancet avaliou dezenas de possíveis efeitos adversos descritos em bula e mostrou que a maioria não tem relação causal com o medicamento.
Estatinas reduzem infarto, AVC e mortalidade cardiovascular.
O benefício supera o risco quando existe indicação.
E se houver intolerância?
Alguns pacientes podem apresentar dor muscular.
Existem alternativas terapêuticas como:
- Ezetimiba
- Ácido bempedoico
- Inibidores de PCSK9
- Terapias combinadas
O tratamento é individualizado.
Não é só fazer exame de colesterol
Também precisamos investigar se a aterosclerose já começou.
Exames como:
- Ultrassom de carótidas
- Escore de cálcio coronário
podem mostrar se já existe placa nas artérias.
Ignorar a doença não faz com que ela deixe de existir.
Colesterol alto não dá sintomas.
Mas pode causar infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência renal e disfunção erétil (impotência sexual) anos depois.
Prevenção é decisão antecipada.
Check-up cardiovascular: rastrear o risco antes do evento
Você sabia que a principal causa de infarto e AVC é uma doença que começa em silêncio?
A aterosclerose.
O que é aterosclerose?
A aterosclerose é o acúmulo de gordura e cálcio na parede das artérias.
Ela pode estar presente por anos, sem dar nenhum sintoma.
Quando o paciente descobre, muitas vezes já é tarde — o primeiro sinal pode ser um infarto ou um AVC.
O que avaliamos em um check-up cardiovascular?
No check-up, não avaliamos só “exames básicos”.
Nós conseguimos rastrear a presença da doença, como:
✔️ Placa de aterosclerose na carótida
✔️ Escore de cálcio coronário
✔️ Sinais precoces de risco cardiovascular
Refinando o risco
Além disso, avaliamos marcadores que refinam o risco, como:
✔️ Lipoproteína(a)
✔️ Perfil lipídico detalhado
✔️ Histórico familiar
✔️ Cálculo de risco cardiovascular (ex: Prevent Score)
O objetivo é entender não apenas o número do exame, mas o contexto completo do paciente.
Check-up não é sair pedindo exame
Check-up não é solicitar exames indiscriminadamente.
É entender quem tem risco,
quem já tem doença,
e quem precisa de intervenção mais precoce.
Uma verdade importante
Você ignorar a doença não faz com que ela deixe de existir.
Por que fazer?
O check-up permite enxergar o que ainda não dói, mas pode custar caro no futuro.
Prevenção é identificar a doença antes do evento.
Infarto e AVC não costumam ser o começo da história.
Eles costumam ser o final.
Você tem o hábito de fazer check-up cardiovascular?

