Você já ouviu falar da Lipoproteína(a)?

Um tipo de colesterol pouco conhecido, mas extremamente importante, vem ganhando destaque nas novas diretrizes de cardiologia: a Lipoproteína(a), ou simplesmente Lp(a).

Apesar de não fazer parte dos exames de rotina mais solicitados, ela pode ajudar a explicar por que algumas pessoas têm infarto ou AVC mesmo com o colesterol aparentemente controlado.

O que é a Lipoproteína(a)?

A Lp(a) é um tipo de colesterol ruim, com uma característica importante: ela é determinada geneticamente.

Isso significa que seus níveis são definidos pelo DNA e não mudam com dieta, atividade física ou medicamentos convencionais.

Na prática, é como se fosse um “colesterol hereditário”, que acompanha a pessoa ao longo da vida.

Por que ela merece atenção?

A Lipoproteína(a) é considerada um marcador independente de risco cardiovascular.

Ou seja:
mesmo com o colesterol LDL controlado, níveis elevados de Lp(a) podem aumentar o risco de:

* Infarto do miocárdio
* Acidente vascular cerebral (AVC)
* Estenose aórtica (calcificação da válvula do coração)

Isso acontece porque a Lp(a) favorece o acúmulo de gordura e inflamação nas artérias, contribuindo para o desenvolvimento da aterosclerose (“placas”)

Quando devo dosar esse exame?

A Diretriz Brasileira de Dislipidemias 2025 recomenda que a Lipoproteína(a) seja dosada pelo menos uma vez na vida.

É um exame simples de sangue
E, como seus níveis são estáveis, não precisa ser repetido se estiver normal

Saber esse valor ajuda o médico a avaliar melhor o risco cardiovascular individual e tomar decisões mais personalizadas.

Existem tratamentos para Lp(a)?

Atualmente, não existe um medicamento aprovado específico para reduzir a Lipoproteína(a).

Mas a boa notícia é que isso pode mudar em breve.

Estudos internacionais estão avaliando novas terapias com resultados promissores:

* OCEAN(a) – com o medicamento Olpasiran
* Lp(a)HORIZON – com Pelacarsen
* ACCLAIM-Lp(a) – com Lepodisiran

Essas medicações já mostraram reduções de até 90–94% nos níveis de Lp(a) nas fases iniciais dos estudos e agora estão em fase 3, para avaliar se essa redução também diminui o risco de infarto e AVC.

O que fazer enquanto isso?

Mesmo sem um tratamento específico, há muito o que pode ser feito.

O mais importante é o controle dos fatores de risco modificáveis, que continuam sendo a base da prevenção cardiovascular:

  • Manter o colesterol LDL dentro das metas ( < 70)
  • Controlar a pressão arterial
  • Tratar diabetes
  • Não fumar
  • Praticar atividade física regularmente
  • Ter uma alimentação equilibrada e sono de qualidade

A Lipoproteína(a) é mais uma peça no quebra-cabeça da saúde do coração.

Conhecer o seu valor pode ajudar a identificar precocemente um risco que muitas vezes passa despercebido e permitir um cuidado mais individualizado.

Você já dosou a sua Lipoproteína(a)?

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