Já dosou seu colesterol?
Deu alterado?
Antes de simplesmente cortar alguns alimentos ou se assustar com o resultado do exame, é importante entender o que aquele número significa. Colesterol alto é muito comum, mas ainda existem muitas dúvidas e também muita informação errada sobre suas causas, seus riscos e o tratamento.
Separei 8 coisas que explico com frequência no consultório e que todo mundo deveria saber sobre colesterol.
1. Colesterol alto não dá sintomas
Na maioria das vezes, a pessoa não sente absolutamente nada. O colesterol alto costuma ser descoberto em exames de rotina ou, infelizmente, depois de um infarto ou AVC.
É justamente por ser silencioso que a prevenção é tão importante. Não espere sentir alguma coisa para fazer seus exames.
2. Nem todo colesterol alto é culpa da alimentação
Esse é um ponto importante. Alimentação saudável, atividade física, controle do peso e não fumar fazem parte do tratamento e da prevenção cardiovascular, mas a genética também pode estar por trás de um colesterol elevado.
Por isso, algumas pessoas se alimentam bem, praticam atividade física e, mesmo assim, apresentam LDL muito alto. Um exemplo é a hipercolesterolemia familiar, uma condição hereditária que aumenta o risco de doença cardiovascular precoce.
Um LDL acima de 190 mg/dL merece investigação, principalmente quando existem familiares com colesterol muito alto ou casos de infarto precoce na família.
3. Não adianta olhar apenas o valor de referência do laboratório
Muita gente abre o exame e procura aquele famoso asterisco para saber se está tudo bem. Só que, para o colesterol, não é tão simples assim.
Não existe uma única meta de LDL para todo mundo. O valor adequado depende do risco cardiovascular de cada pessoa. Quem já teve um infarto ou AVC, por exemplo, pode precisar manter o LDL muito mais baixo do que uma pessoa de baixo risco.
E nem todo mundo que tem colesterol alterado precisa necessariamente tomar remédio. É preciso avaliar o paciente como um todo.
4. Você já dosou a Lipoproteína(a)?
A Lipoproteína(a), ou Lp(a), é um fator de risco cardiovascular determinado principalmente pela genética e sua dosagem é recomendada pelo menos uma vez na vida adulta.
Outro exame que pode ser útil em algumas situações é a Apolipoproteína B, ou ApoB, que ajuda a avaliar a quantidade de partículas aterogênicas circulantes.
Não significa que todo mundo precise fazer uma bateria enorme de exames. A indicação depende da avaliação de cada paciente.
5. Estatina não causa demência
Essa é uma das fake news que mais escuto no consultório.
As estatinas estão entre os medicamentos mais estudados da Cardiologia, com décadas de evidências mostrando redução do risco de infarto e AVC. As evidências científicas disponíveis não mostram que o uso de estatinas cause demência.
Como qualquer medicamento, elas podem apresentar efeitos adversos e precisam ter indicação adequada. Mas não interrompa um tratamento por conta própria por causa de um vídeo ou de uma informação que recebeu nas redes sociais.
6. Estatina não é o único tratamento para colesterol
Hoje temos diferentes opções para reduzir o LDL. Além das estatinas, podemos utilizar ezetimiba, ácido bempedoico e medicamentos que atuam sobre a PCSK9, dependendo de cada caso.
Às vezes, um medicamento é suficiente. Em outras situações, precisamos associar tratamentos para atingir a meta de LDL. A escolha depende do risco cardiovascular e da resposta de cada paciente.
7. Colesterol alto não leva apenas a infarto e AVC
O colesterol elevado favorece a formação das placas de aterosclerose, e essa não é uma doença exclusiva das artérias do coração.
A aterosclerose pode atingir as carótidas e as artérias cerebrais, as artérias renais e também a circulação das pernas. Quando compromete os membros inferiores, pode causar dor ao caminhar, a chamada claudicação intermitente, e, em casos mais avançados, úlceras e até risco de amputação.
A disfunção erétil (impotência sexual) também pode estar relacionada à doença vascular e, em alguns homens, ser uma manifestação precoce de aterosclerose.
Ou seja, quando falamos em colesterol e aterosclerose, estamos falando da saúde das artérias do corpo todo.
8. A prevenção começa antes do primeiro infarto
Talvez esse seja o recado mais importante. Não precisamos esperar um infarto, um AVC ou outro problema vascular para começar a cuidar do colesterol.
Faça seus exames, conheça sua história familiar e converse com seu médico sobre o seu risco cardiovascular. Se houver indicação de tratamento, não tenha medo de tratar.
Colesterol alto não dá sintomas. A oportunidade de prevenir está justamente em descobrir e tratar antes que eles apareçam.

