Colesterol alto em crianças:
quando pensar em uma causa genética?
Criança pode ter colesterol alto? Sim.
E nem sempre o colesterol elevado está relacionado à alimentação ou ao excesso de peso.
Uma das causas que precisam ser lembradas é a hipercolesterolemia familiar (HF), uma condição genética que causa níveis elevados de LDL desde a infância. A forma heterozigótica é uma das doenças genéticas mais frequentes, atingindo aproximadamente 1 em cada 300 pessoas.
Na hipercolesterolemia familiar, a criança geralmente não apresenta sintomas. O problema é que ela fica exposta ao LDL elevado por muitos anos, e essa exposição acumulada favorece o desenvolvimento mais precoce da aterosclerose.
Quando suspeitar de hipercolesterolemia familiar em uma criança?
O consenso da European Atherosclerosis Society (EAS), publicado em 2026, atualizou os critérios para melhorar a identificação da hipercolesterolemia familiar na infância.
Um LDL acima de 175 mg/dL já é um sinal de alerta e merece investigação para HF, mesmo quando não há história familiar conhecida.
Quando existe colesterol alto nos pais ou doença coronária precoce na família, valores menores de LDL também precisam chamar a atenção.
Outro cenário importante é quando o pai ou a mãe já possui uma alteração genética causadora de hipercolesterolemia familiar. Nesse caso, os filhos devem ser avaliados. Essa investigação dos familiares é conhecida como rastreamento em cascata.
Com que idade devemos dosar o colesterol das crianças?
Não precisamos esperar a vida adulta para avaliar o colesterol.
A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose de 2025 recomenda a avaliação do perfil lipídico de todas as crianças entre 9 e 11 anos, mesmo quando não há história familiar.
Na presença de fatores de risco, principalmente história familiar de colesterol muito alto ou doença cardiovascular precoce, essa avaliação pode precisar começar antes.
Por isso, conhecer a história cardiovascular dos pais e avós também faz parte da consulta da criança.
Hipercolesterolemia familiar em crianças tem tratamento?
Sim.
Quando a causa do LDL elevado é genética, apenas mudanças na alimentação e no estilo de vida podem não ser suficientes para atingir níveis adequados de colesterol.
Nas crianças com hipercolesterolemia familiar e indicação de tratamento medicamentoso, as estatinas são a primeira opção, mas atualmente existem outras alternativas que podem ser utilizadas ou associadas em situações específicas.
O consenso europeu de 2026 recomenda que o tratamento da hipercolesterolemia familiar heterozigótica seja iniciado ainda na primeira década de vida, idealmente a partir dos 6 anos, de maneira individualizada.
O objetivo do tratamento não é simplesmente melhorar um número no exame.
É reduzir o tempo de exposição das artérias ao LDL elevado e prevenir a aterosclerose ao longo da vida.
Colesterol alto na infância não deve ser ignorado
Se uma criança apresenta LDL muito elevado ou tem familiares com colesterol alto, hipercolesterolemia familiar, infarto ou doença coronária em idade jovem, é importante investigar.
Identificar uma criança com hipercolesterolemia familiar também pode levar ao diagnóstico de pais, irmãos e outros familiares que ainda não sabiam que tinham a doença.
Quanto mais cedo reconhecemos a hipercolesterolemia familiar, mais cedo podemos começar a prevenção cardiovascular.
Já dosou o colesterol do seu filho?

